Um estudo sobre a renovação das Relações Laborais.
Devia haver um sindicato que organizasse os interesses
das relações sociais, um tipo, por certo,
de relações laborais, porque dão muito trabalho
e a recompensa, sempre incerta, seria assim contratualizada.
Elementos de cultura táctil. Procedimentos analíticos. Artefactos da vida mundana. A vida como arte de encontro. Da descoberta. Uma aprendizagem em redondilha maior. Um convite à partilha - com um grilo que tem fome de elefante.
Monday, August 31, 2009
It`s a outlier!
Parentalidade intuitiva.
Com a ingenuidade de crer
no bater das asas de uma borboleta,
crianças que gostam de presunto
e acreditam em lugares pequenos,
onde à noite pousam dragões,
vão coleccionando afectos
na esperança vã
que um dia
poderem vir a parar o tempo.
Os afectos são pequenos seres
que, ao longe,
proporcionam o enlevo
de pequenos deuses,
escultores de um instinto
de quem tudo se pode esperar.
A contabilidade dos pecados
e suas grandes sombras
quebram, porém, este feitiço
de um dia se vir a poder parar o tempo.
Por isso,
é importante saber contar
desde cedo,
e isto deve ser transmitido às crianças,
gostem ou não de presunto.
Com a ingenuidade de crer
no bater das asas de uma borboleta,
crianças que gostam de presunto
e acreditam em lugares pequenos,
onde à noite pousam dragões,
vão coleccionando afectos
na esperança vã
que um dia
poderem vir a parar o tempo.
Os afectos são pequenos seres
que, ao longe,
proporcionam o enlevo
de pequenos deuses,
escultores de um instinto
de quem tudo se pode esperar.
A contabilidade dos pecados
e suas grandes sombras
quebram, porém, este feitiço
de um dia se vir a poder parar o tempo.
Por isso,
é importante saber contar
desde cedo,
e isto deve ser transmitido às crianças,
gostem ou não de presunto.
Palavras de Cotrim
Regresso.
A certeza de haver um retorno
um fim
um retrocesso
da experiência
da viagem
faz feridas inquietas
que não saram com eosina.
Um maneirismo,
esta aceleração,
abreviatura de um universo onírico
feito de percepção condensada,
humanidade sectária
que só corre
na direcção do vento,
o olhar domesticado
que reproduz,
sabendo-se breve e finito,
os mesmos semi-círculos
pelas cambiantes
de onde passa.
A certeza de haver um retorno
um fim
um retrocesso
da experiência
da viagem
faz feridas inquietas
que não saram com eosina.
Um maneirismo,
esta aceleração,
abreviatura de um universo onírico
feito de percepção condensada,
humanidade sectária
que só corre
na direcção do vento,
o olhar domesticado
que reproduz,
sabendo-se breve e finito,
os mesmos semi-círculos
pelas cambiantes
de onde passa.
Self-disclosure
O exercício da tristeza.
Vamos supôr
que somos sinceros
com o instinto de fazer ninho,
o mobiliário transitório,
o sufoco da felicidade que se idolatra.
Sim:
vamos supôr
que somos sinceros,
fazendo-o como
resposta a um exercício,
porque este êxtase nervoso
é um automatismo
do nosso destino,
vertido em nervos e lábios
para que se veja
ao longe,
um respirar que ocorre
sem nada se fazer por isso.
Móveis e lábios
felizes,
sim,
vamos supôr
que somos sinceros,
mas é bom que isso se veja.
Vamos supôr
que somos sinceros
com o instinto de fazer ninho,
o mobiliário transitório,
o sufoco da felicidade que se idolatra.
Sim:
vamos supôr
que somos sinceros,
fazendo-o como
resposta a um exercício,
porque este êxtase nervoso
é um automatismo
do nosso destino,
vertido em nervos e lábios
para que se veja
ao longe,
um respirar que ocorre
sem nada se fazer por isso.
Móveis e lábios
felizes,
sim,
vamos supôr
que somos sinceros,
mas é bom que isso se veja.
Palavras de Cotrim
Cultura (by proxy).
Em ruínas culturais,
verbos de acção
e mulheres de aventais
aguardam, em pranto,
a mão invisível
de subsídios estatais.
Este é o destino sufragado
das ruínas
dos aventais
um deus em rubrica
vindo de uma gaveta
que insufla almas
e repõe tijoleira,
com a regularidade
de grupo de operárias
que aguardam,
com cestas e enfado,
o autocarro da carreira.
Em ruínas culturais,
verbos de acção
e mulheres de aventais
aguardam, em pranto,
a mão invisível
de subsídios estatais.
Este é o destino sufragado
das ruínas
dos aventais
um deus em rubrica
vindo de uma gaveta
que insufla almas
e repõe tijoleira,
com a regularidade
de grupo de operárias
que aguardam,
com cestas e enfado,
o autocarro da carreira.
Palavras de Cotrim
Monocultura.
Com virtude e menos fé ilimitada, é possível vislumbrar, no espírito do tempo,
o afundar gratuito da generosidade do silêncio em crateras feitas de incúria,
um despejo de palavras que aparecem, de repente, em cena, no escrutínio do agora,
um soluço romântico que se pressente, e, ainda assim, nos escapa.
Pobres vocábulos, moedas sem valor, perdidos nestes solilóquios mudos
de homens proverbiais, pardos nas suas narrativas contraídas,
carentes de factos falecidos e registo em caderno de argolas,
um encargo responsável que mudasse a sua vida,
uma dieta fonética feita de monocultura e presença em comentários
sobre a epiderme de Michael Jackson.
Com virtude e menos fé ilimitada, é possível vislumbrar, no espírito do tempo,
o afundar gratuito da generosidade do silêncio em crateras feitas de incúria,
um despejo de palavras que aparecem, de repente, em cena, no escrutínio do agora,
um soluço romântico que se pressente, e, ainda assim, nos escapa.
Pobres vocábulos, moedas sem valor, perdidos nestes solilóquios mudos
de homens proverbiais, pardos nas suas narrativas contraídas,
carentes de factos falecidos e registo em caderno de argolas,
um encargo responsável que mudasse a sua vida,
uma dieta fonética feita de monocultura e presença em comentários
sobre a epiderme de Michael Jackson.
Self-disclosure
Assimetria.
As pessoas ricas
têm intestinos limpos
de nutrientes,
onde não militam
preocupações de crédito mineral.
As pessoas ricas
na sua língua de optimismo,
não suam,
por causa do linho,
e porque isso não se coaduna
com a candura
do seu epitélio intestinal.
As pessoas ricas
têm dedos
em número regular,
mas finos,
por causa dos anéis,
uma disposição vantajosa
para usarem os seus garfos,
cutelaria de alta precisão,
sóbria, delgada,
por causa dos nutrientes,
e da ingestão de conjuntos singulares
de leguminosas.
Os garfos
das pessoas ricas
têm poucos dentes
o que dificulta o movimento inusitado de nutrientes,
justificando
o imaculado cólon de quem os usa.
Por esta complexidade de procedimentos,
é por vezes melhor,
na dúvida de se ser uma pessoa rica,
comer com uma colher,
ou à mão.
As pessoas ricas
têm intestinos limpos
de nutrientes,
onde não militam
preocupações de crédito mineral.
As pessoas ricas
na sua língua de optimismo,
não suam,
por causa do linho,
e porque isso não se coaduna
com a candura
do seu epitélio intestinal.
As pessoas ricas
têm dedos
em número regular,
mas finos,
por causa dos anéis,
uma disposição vantajosa
para usarem os seus garfos,
cutelaria de alta precisão,
sóbria, delgada,
por causa dos nutrientes,
e da ingestão de conjuntos singulares
de leguminosas.
Os garfos
das pessoas ricas
têm poucos dentes
o que dificulta o movimento inusitado de nutrientes,
justificando
o imaculado cólon de quem os usa.
Por esta complexidade de procedimentos,
é por vezes melhor,
na dúvida de se ser uma pessoa rica,
comer com uma colher,
ou à mão.
Palavras de Cotrim
Política.
Instrumento de participação na sociedade,
prática que se trafica entre travessas de carne assada.
Em compartimentos parcamente iluminados,
nas confrarias da decisão,
os confrades,
anómicos na sua temporária penhora ideológica,
falam de alcatrão e da necessidade de dois e dois serem cinco,
apesar das evidências de contradição.
Sabendo do interesse como mercadoria,
a anuência é colectiva.
E pronto. Fez-se política.
Instrumento de participação na sociedade,
prática que se trafica entre travessas de carne assada.
Em compartimentos parcamente iluminados,
nas confrarias da decisão,
os confrades,
anómicos na sua temporária penhora ideológica,
falam de alcatrão e da necessidade de dois e dois serem cinco,
apesar das evidências de contradição.
Sabendo do interesse como mercadoria,
a anuência é colectiva.
E pronto. Fez-se política.
Thursday, August 27, 2009
Palavras de Cotrim
Rir.
Há, por certo, um lugar
onde as pessoas
que se riem
se reúnem,
sem que a tristeza disso saiba,
para que isso lhes
continue a suceder
de uma forma
que não gera consequências.
Talvez o riso
seja apenas das vísceras
e não da têmpera,
uma coisa de superfície
que decorre sem se querer,
e por isso
a nostalgia
o deixe acontecer.
Há, por certo, um lugar
onde as pessoas
que se riem
se reúnem,
sem que a tristeza disso saiba,
para que isso lhes
continue a suceder
de uma forma
que não gera consequências.
Talvez o riso
seja apenas das vísceras
e não da têmpera,
uma coisa de superfície
que decorre sem se querer,
e por isso
a nostalgia
o deixe acontecer.
Self-disclosure
Emoção básica.
No fundo do fundo,
há um medo
sem fundo,
que nos afunda
sem medo de se perder.
Vai-se fundo
mas não longe
com este medo,
ir ao fundo
não é muito longe
para quem tem medo de se perder.
Quem se perde
por ter medo,
vê ao longe
um rochedo
que ainda não se sabe viver;
a perna curta,
o verbo tosco,
o fundo tão perto,
rubor no rosto -
o que é que se há-de fazer?
No fundo, no fundo,
este medo,
sinédoque tirana e
sempre presente,
é um estranho
sentido de destino
que nos impele a andar para a frente,
fazendo-nos viver.
No fundo do fundo,
há um medo
sem fundo,
que nos afunda
sem medo de se perder.
Vai-se fundo
mas não longe
com este medo,
ir ao fundo
não é muito longe
para quem tem medo de se perder.
Quem se perde
por ter medo,
vê ao longe
um rochedo
que ainda não se sabe viver;
a perna curta,
o verbo tosco,
o fundo tão perto,
rubor no rosto -
o que é que se há-de fazer?
No fundo, no fundo,
este medo,
sinédoque tirana e
sempre presente,
é um estranho
sentido de destino
que nos impele a andar para a frente,
fazendo-nos viver.
Self-disclosure
Construção e abstracção (recursos de estilo).
Surrealismo,
agora,
uma variação dos factos
uma doutrina,
prática enfática,
um recurso de estilo,
paronomásia
na materialidade que vai
além da fronteira do siso;
Longe da abstracção figurativa,
um pretexto de realismo social,
grandes vigas
e barrotes de madeira,
símbolos de civilização
sem mácula
ou fragmento de pudor
da letra da lei,
erguem
um amor a gestalts vazias,
indecifráveis,
em planos ortogonais,
sazonais,
como tílias, que sem o pedir,
figuram em bules,
flores gentis que compreendem,
mulatas de si próprias,
o pão integral
e a mão
que amanteiga
magra
a vida simples de um lugar,
os calções de banho,
as dunas - lapsos de memória,
e o odor a constância do mar.
Os rios não deixam, porém,
de desaguar
no Atlântico
em recantos de epiderme,
em torrentes de suspiro
que não são já somente Medicina,
actos de morfologia,
grandes vigas estas,
remotos
corpos lúteos,
sorrisos
de penicilina.
Friday, August 21, 2009
It`s a outlier!

Estudo sobre o papel do Estado e do Powerpoint para a consolidação da modernidade
como entidade ontológica.
como entidade ontológica.
Por vezes,
há pessoas
que batem de frente
com a insolvente indiferença
dos procedimentos do Estado,
verdades rígidas
dispostas em estantes,
que assistem, perplexas,
a esta amostra de realidade
às avessas,
sem nada poderem fazer
pois são de contraplacado,
uma matéria que não é,
ainda,
um cidadão,
e não pode, portanto, denunciar
ou injuriar
mediocridades alheias.
Os procedimentos
descrevem realidades surdas
que ninguém quer compreender
de modo voluntário, e por tal,
necessitam de descrição,
remunerada
e mediada
por tecnologia powerpoint,
que transforma a natureza
em objectos pós-modernos,
desarticulados
da materialidade física
das coisas,
independentes
do conhecimento específico destas.
O mundo em powerpoint
é como algodão
que se deseja doce,
elipses em azul tépido,
formas centrípetas
que propõem organizar
a incoerência
entre fulgurantes efeitos de animação;
o mundo faz, por certo, mais sentido
concatenado e
articulado
entre duas setas
e um generoso balão.
Há, ainda assim,
encantatórias zonas cinzentas
neste local sacrossanto,
uma dimensão divina que adensa
os tormentos de quem se
alegra por saber,
no silêncio,
que entre um e outro tópico
a atenção dispersa
e mendiga por evasão.
[nota: Devia haver procedimentos acerca do que é, no fundo, uma pessoa "simpática" ou "dinâmica", ou acerca do modo como se atribuem os nomes aos furacões]
há pessoas
que batem de frente
com a insolvente indiferença
dos procedimentos do Estado,
verdades rígidas
dispostas em estantes,
que assistem, perplexas,
a esta amostra de realidade
às avessas,
sem nada poderem fazer
pois são de contraplacado,
uma matéria que não é,
ainda,
um cidadão,
e não pode, portanto, denunciar
ou injuriar
mediocridades alheias.
Os procedimentos
descrevem realidades surdas
que ninguém quer compreender
de modo voluntário, e por tal,
necessitam de descrição,
remunerada
e mediada
por tecnologia powerpoint,
que transforma a natureza
em objectos pós-modernos,
desarticulados
da materialidade física
das coisas,
independentes
do conhecimento específico destas.
O mundo em powerpoint
é como algodão
que se deseja doce,
elipses em azul tépido,
formas centrípetas
que propõem organizar
a incoerência
entre fulgurantes efeitos de animação;
o mundo faz, por certo, mais sentido
concatenado e
articulado
entre duas setas
e um generoso balão.
Há, ainda assim,
encantatórias zonas cinzentas
neste local sacrossanto,
uma dimensão divina que adensa
os tormentos de quem se
alegra por saber,
no silêncio,
que entre um e outro tópico
a atenção dispersa
e mendiga por evasão.
Self-disclosure

Musa imobiliária.
É da natureza das coisas
que se elevam
além do controlo de quem as espera
serem côncavas, evanescentes,
e nada devolverem
ignorando a secura
das ribeiras, torrentes coloquiais
de ideias
de boa-vontade de quem tenta
trepar laranjeiras
subir e descer montanhas,
como se fossêmos todos,
por instantes, invisíveis
neutros de género,
burros lentos,
cavalos trôpegos de felicidade.
Quixotes no seu condomínio
procuram o seu lugar
em elipses católicas,
desavindas do seu destino,
fugindo do terror de viver
psicodramas de elevador,
num tom menor
de uma dramaturgia rasurada.
A vida imobiliária prossegue,
fazendo de dois e dois cinco,
no calor da transacção,
destilando aspirações de betume,
de betão,
novo elemento da classe média,
que por este se empresta
e forra de assoalhadas.
É da natureza das coisas
que se elevam
além do controlo de quem as espera
serem côncavas, evanescentes,
e nada devolverem
ignorando a secura
das ribeiras, torrentes coloquiais
de ideias
de boa-vontade de quem tenta
trepar laranjeiras
subir e descer montanhas,
como se fossêmos todos,
por instantes, invisíveis
neutros de género,
burros lentos,
cavalos trôpegos de felicidade.
Quixotes no seu condomínio
procuram o seu lugar
em elipses católicas,
desavindas do seu destino,
fugindo do terror de viver
psicodramas de elevador,
num tom menor
de uma dramaturgia rasurada.
A vida imobiliária prossegue,
fazendo de dois e dois cinco,
no calor da transacção,
destilando aspirações de betume,
de betão,
novo elemento da classe média,
que por este se empresta
e forra de assoalhadas.
Self-disclosure

O colapso do regaço.
A mão que embalava o berço
está agora trémula
e ressequida
pelo desprezo
dos homens sós
que compõem sinfonias ao balcão,
distantes do regaço uterino
que tanto lhes disse;
nesta liturgia calva,
ouve-se a apologia monocórdica
das virtudes da salubridade bancária,
uma marca do tempo novo,
nova conjugalidade do ser.
A mão que embalava o berço
está agora trémula
e ressequida
pelo desprezo
dos homens sós
que compõem sinfonias ao balcão,
distantes do regaço uterino
que tanto lhes disse;
nesta liturgia calva,
ouve-se a apologia monocórdica
das virtudes da salubridade bancária,
uma marca do tempo novo,
nova conjugalidade do ser.
It`s a outlier!
Estudo para a publicitação de uma nova perspectiva de futuro.
Como a acção demonstra a intenção para o futuro, há que deixar, talvez,
tudo para o dia de amanhã,
para que o futuro saiba que pode contar sempre connosco.
Como a acção demonstra a intenção para o futuro, há que deixar, talvez,
tudo para o dia de amanhã,
para que o futuro saiba que pode contar sempre connosco.
Tautologia no gira-discos: #024

Os locais de cultivo da melomania são, talvez,
o que mais se aproxima da telúrica ideia de paraíso terrestre.
Concentrado sincrético de espaço e tempo, que protege do hostil anonimato exterior,
uma regressão a um conforto uterino, a um sentido de omniscência, que tudo vence, porque tudo sabe e tudo reconhece. Rodeado pelos objectos de culto, não há sensação de desamparo para quem sabe, já que neste locais os instrumentos de decifração da realidade (um livro, um disco, um diálogo) estão rapidamente ao seu alcance. Deixamos abaixo alguns dos instrumentos recolhidos no passado recente:
(author/track/label)
o que mais se aproxima da telúrica ideia de paraíso terrestre.
Concentrado sincrético de espaço e tempo, que protege do hostil anonimato exterior,
uma regressão a um conforto uterino, a um sentido de omniscência, que tudo vence, porque tudo sabe e tudo reconhece. Rodeado pelos objectos de culto, não há sensação de desamparo para quem sabe, já que neste locais os instrumentos de decifração da realidade (um livro, um disco, um diálogo) estão rapidamente ao seu alcance. Deixamos abaixo alguns dos instrumentos recolhidos no passado recente:
(author/track/label)
AGUAYO, Matias: A Night At The Tilehouse EP (Soul Jazz) (SJR 16312)
REVENGE, The: Night Flight (Jiscomusic)(JISCO 008)
HARRI & THE REVENGE/DEEP SPACE ORCHESTRA:
Death On The Highway: The First Chapter Celebrating 10 Years Of Five20East (Five20East 004)
CRAZY P: Hotbath Re Edits Vol 1 (Hotbath) (HBEDIT 01)
OOFT/THE REVENGE: Part Three (Instruments Of Rapture) (IOR 003)
JAUMET, Etienne: Entropy EP (Christian Vance remix) (Versatile France) (VER 064)
RHYTHM ODYSSEY, The: The Rhythm Odyssey (Lip Service) (LIPSERVICE 002)
MUSHROOMS PROJECT/TOBY TOBIAS: Space Mushrooms (Electric Minds) (EMINDS 012)
PHREEK PLUS ONE: The Funk Hunt EP (Compost Black Label Germany)(COMP 3301)
FILIPSSON & LINDBLAD: Splendor In The Grass (Nang) CD: (NANG 004)
CHAMBOCHE - Ipso Facto (Under the Shade/Jiscomusic 01)
RHYTHM BASED LOVERS - Calls Of Love (12") EP (Touch Your Life US)
WESTON, Nik presents GUYNAMITE - Born In '82 EP (Mukatsuku 015)
FREESTYLE MAN - Vibin` EP (Hairy Claw 014)
OMAR S - Still Serious Nic EP (FXHE White Label)
FERNANDO - Scarerows EP (Redux 09)
NAUM GABO - Black Lab EP (Endless Flight 016)
AL USHER - Lullaby for Robert EP (Remix 02) (Internsjournal 9.2)
GLIMPSE & JAY SHEPHEARD - The Lazer Bather EP (Glimpse 08)
REVENGE, The: Night Flight (Jiscomusic)(JISCO 008)
HARRI & THE REVENGE/DEEP SPACE ORCHESTRA:
Death On The Highway: The First Chapter Celebrating 10 Years Of Five20East (Five20East 004)
CRAZY P: Hotbath Re Edits Vol 1 (Hotbath) (HBEDIT 01)
OOFT/THE REVENGE: Part Three (Instruments Of Rapture) (IOR 003)
JAUMET, Etienne: Entropy EP (Christian Vance remix) (Versatile France) (VER 064)
RHYTHM ODYSSEY, The: The Rhythm Odyssey (Lip Service) (LIPSERVICE 002)
MUSHROOMS PROJECT/TOBY TOBIAS: Space Mushrooms (Electric Minds) (EMINDS 012)
PHREEK PLUS ONE: The Funk Hunt EP (Compost Black Label Germany)(COMP 3301)
FILIPSSON & LINDBLAD: Splendor In The Grass (Nang) CD: (NANG 004)
CHAMBOCHE - Ipso Facto (Under the Shade/Jiscomusic 01)
RHYTHM BASED LOVERS - Calls Of Love (12") EP (Touch Your Life US)
WESTON, Nik presents GUYNAMITE - Born In '82 EP (Mukatsuku 015)
FREESTYLE MAN - Vibin` EP (Hairy Claw 014)
OMAR S - Still Serious Nic EP (FXHE White Label)
FERNANDO - Scarerows EP (Redux 09)
NAUM GABO - Black Lab EP (Endless Flight 016)
AL USHER - Lullaby for Robert EP (Remix 02) (Internsjournal 9.2)
GLIMPSE & JAY SHEPHEARD - The Lazer Bather EP (Glimpse 08)
Tuesday, August 18, 2009
Self-disclosure
O declínio da indústria têxtil.
Pano preto
que és de algodão
democrático
e muito tapas,
e assim te matas
e não te vergas
ao escrutínio
da comichão.
Pano preto
se fosses de renda,
de camurça,
serias breve interlúdio
da carne e da vergonha
proletária
objecto de troca,
de vil arremesso,
em quermesses
e na feira de S. João.
Pano preto,
ainda bem que não és de seda,
no teu jeito intransponível,
de assim estar,
de enxaguar;
fosses tu assim
selecto retalho
de têxtil convicção
não te saberia lavar
à máquina ou à mão,
nem mesmo
com o melhor sabão.
Pano preto
que és de algodão
democrático
e muito tapas,
e assim te matas
e não te vergas
ao escrutínio
da comichão.
Pano preto
se fosses de renda,
de camurça,
serias breve interlúdio
da carne e da vergonha
proletária
objecto de troca,
de vil arremesso,
em quermesses
e na feira de S. João.
Pano preto,
ainda bem que não és de seda,
no teu jeito intransponível,
de assim estar,
de enxaguar;
fosses tu assim
selecto retalho
de têxtil convicção
não te saberia lavar
à máquina ou à mão,
nem mesmo
com o melhor sabão.
Palavras de Cotrim
Escrever.
As palavras que se escrevem, e não são (somente) ditas,
devem fazer com que as coisas pareçam necessárias
que o meio seja indispensável, relacionado com a acção que decorre.
[Será a escrita válida (apenas) aquela que em nós produz sentido, e gera um efeito que perdura além do tempo de leitura?]
O fim do que é escrito, porém, deve ir além de um automatismo prescrito, expositivo, explicativo
da metroníma,
da ênfase,
da queda do compasso em parágrafos breves e longos, sem adjectivos ou advérbios substantivos.
É preciso sugerir, ir além do que é esperado, um produto pasteurizado, evitar o bocejo ensonado.
Ocuparmo-nos das relações estabelecidas entre as palavras-significante, veículos de significado
onde pousam vozes, ideias de civilização.
O resto é do tempo.
O uso eloquente do silêncio,
a respiração dos proscritos,
engenhos malditos, um calor ríspido
que derrete o gelo
com demasiada rapidez.
As palavras que se escrevem, e não são (somente) ditas,
devem fazer com que as coisas pareçam necessárias
que o meio seja indispensável, relacionado com a acção que decorre.
[Será a escrita válida (apenas) aquela que em nós produz sentido, e gera um efeito que perdura além do tempo de leitura?]
O fim do que é escrito, porém, deve ir além de um automatismo prescrito, expositivo, explicativo
da metroníma,
da ênfase,
da queda do compasso em parágrafos breves e longos, sem adjectivos ou advérbios substantivos.
É preciso sugerir, ir além do que é esperado, um produto pasteurizado, evitar o bocejo ensonado.
Ocuparmo-nos das relações estabelecidas entre as palavras-significante, veículos de significado
onde pousam vozes, ideias de civilização.
O resto é do tempo.
O uso eloquente do silêncio,
a respiração dos proscritos,
engenhos malditos, um calor ríspido
que derrete o gelo
com demasiada rapidez.
Monday, August 17, 2009
It`s a outlier!
Bolt.
Um nada mais do que nove segundos e meio
reavivaram a ideia de que tudo será, talvez, possível
- o alongar da fisiologia, o contorno da morfologia,
fazer mais com matéria exígua, dotar de moralidade-finalidade
esparsas circunstâncias individuais.
A evolução terá, enfim, um sentido - ofegamos.
Todos vamos intuir, um dia, o que efectivamente queremos.
Portugal será, a seu tempo, um lugar de destino colectivo, inclusivo,
isento de malabarismos de gabinete que usurpam a coisa pública,
e periferias encaixotadas de betão,
com cheiro a crianças espontâneas e excitadas,
e bolas de Berlim.
Um nada mais do que nove segundos e meio
reavivaram a ideia de que tudo será, talvez, possível
- o alongar da fisiologia, o contorno da morfologia,
fazer mais com matéria exígua, dotar de moralidade-finalidade
esparsas circunstâncias individuais.
A evolução terá, enfim, um sentido - ofegamos.
Todos vamos intuir, um dia, o que efectivamente queremos.
Portugal será, a seu tempo, um lugar de destino colectivo, inclusivo,
isento de malabarismos de gabinete que usurpam a coisa pública,
e periferias encaixotadas de betão,
com cheiro a crianças espontâneas e excitadas,
e bolas de Berlim.
Sunday, August 16, 2009
It`s a outlier!
Estudo para difusão publicitária de um novo papel higiénico.
Aqui,
tudo é branco, largo e muito fino
para que pessoas boas (e honestas)
saibam que as suas experiências
de empenho demorado
representam fielmente o mundo que as rodeia.
Aqui,
tudo é branco, largo e muito fino
para que pessoas boas (e honestas)
saibam que as suas experiências
de empenho demorado
representam fielmente o mundo que as rodeia.
Self-disclosure
Larica.
Há uma fome sempre dentro dos insatisfeitos.
Sem ela, nos anos mais longos,
resistir à ventania da realidade seria um exercício masoquista,
um clarão longínquo
- vida monástica tomada de empréstimo.
Resistir, contudo, não chega.
Num coro incessante de tosses,
um arraial ruidoso de verdade e fingimento
ornamenta, restringindo,
a plausibilidade de existência exterior.
Consumidores de ideias feitas
corroem os funcionários poéticos,
tornando-os redundantes,
uma inútil distracção da evolução,
como as unhas dos pés no corpo humano.
Nos destroços de suas rimas,
há, por certo, fome
e ideias assim.
Há uma fome sempre dentro dos insatisfeitos.
Sem ela, nos anos mais longos,
resistir à ventania da realidade seria um exercício masoquista,
um clarão longínquo
- vida monástica tomada de empréstimo.
Resistir, contudo, não chega.
Num coro incessante de tosses,
um arraial ruidoso de verdade e fingimento
ornamenta, restringindo,
a plausibilidade de existência exterior.
Consumidores de ideias feitas
corroem os funcionários poéticos,
tornando-os redundantes,
uma inútil distracção da evolução,
como as unhas dos pés no corpo humano.
Nos destroços de suas rimas,
há, por certo, fome
e ideias assim.
Palavras de Cotrim
Pedopsiquiatria (uma introdução).
As crianças,
pessoas-protótipo que se babam,
têm um baixo centro de gravidade,
e, talvez por isso,
correm muito,
sem contudo
correr grandes riscos
com a sua papa,
sintoma de heteronomia,
e um ingénuo-persistente
maravilhamento com o mundo.
Depois vem o cortejo de hormonas,
a economia, a preocupação com o devir,
- gravatas,
lugares de especialização de uma função que delapida,
fossiliza o coração.
As crianças,
assim é dito,
são o melhor do mundo.
Talvez assim seja,
por crescerem imunes,
insuficientes,
raros de raciocínio dedutivo,
neocórtex dorido,
o que lhes protege
a matéria interna
do ventrículo.
As crianças,
pessoas-protótipo que se babam,
têm um baixo centro de gravidade,
e, talvez por isso,
correm muito,
sem contudo
correr grandes riscos
com a sua papa,
sintoma de heteronomia,
e um ingénuo-persistente
maravilhamento com o mundo.
Depois vem o cortejo de hormonas,
a economia, a preocupação com o devir,
- gravatas,
lugares de especialização de uma função que delapida,
fossiliza o coração.
As crianças,
assim é dito,
são o melhor do mundo.
Talvez assim seja,
por crescerem imunes,
insuficientes,
raros de raciocínio dedutivo,
neocórtex dorido,
o que lhes protege
a matéria interna
do ventrículo.
It`s a outlier!
Amigos.
Os amigos sabem, porque o pressentem por entre a embriaguez da sua sintonia,
que a vida é, por vezes, simplesmente estar.
Apenas os amigos,
com a sua alma única que se difunde pela existência material de vários corpos,
podem salvar um solo estéril, uma terra devastada.
Os amigos sabem, porque o pressentem por entre a embriaguez da sua sintonia,
que a vida é, por vezes, simplesmente estar.
Apenas os amigos,
com a sua alma única que se difunde pela existência material de vários corpos,
podem salvar um solo estéril, uma terra devastada.
Self-disclosure
O princípio de Elvira.
Alvíssimo,
aquele parapeito oferece um sentimento de pertença que
tudo resolvia, porque tudo conhecia.
Elvira, que desde cedo dominava os deveres do recato no uso do espaço público,
havia alugado aquele parapeito para os dias caros de Agosto. Apenas o parapeito,
da sala maior de uma casa humilde e bafienta, mas restaurada e bem localizada.
No final desses dias, insinuava-se no parapeito a ver quem passava.
Esperava que assim a vissem, divinamente enquadrada,
entre luz indirecta e aquela cal imaculada.
Fumava, perfumada, e acenava a quem passava.
Para os outros, analistas que procuravam a todo o custo agarrar o Verão
num trânsito luxuriante de alcatra e malha cardada, Elvira era meio corpo maquilhado, que da
cintura para cima, acenava.
Desconheciam, contudo, o princípio de Elvira:
A vida faz-se de presenças, do testemunho dos
pequenos acontecimentos dos dias comuns;
para Elvira, viver os dias caros de Agosto era ser
ela própria um desses quase invisíveis acontecimentos.
Naquele altar remoto e improvisado.
Alvíssimo,
aquele parapeito oferece um sentimento de pertença que
tudo resolvia, porque tudo conhecia.
Elvira, que desde cedo dominava os deveres do recato no uso do espaço público,
havia alugado aquele parapeito para os dias caros de Agosto. Apenas o parapeito,
da sala maior de uma casa humilde e bafienta, mas restaurada e bem localizada.
No final desses dias, insinuava-se no parapeito a ver quem passava.
Esperava que assim a vissem, divinamente enquadrada,
entre luz indirecta e aquela cal imaculada.
Fumava, perfumada, e acenava a quem passava.
Para os outros, analistas que procuravam a todo o custo agarrar o Verão
num trânsito luxuriante de alcatra e malha cardada, Elvira era meio corpo maquilhado, que da
cintura para cima, acenava.
Desconheciam, contudo, o princípio de Elvira:
A vida faz-se de presenças, do testemunho dos
pequenos acontecimentos dos dias comuns;
para Elvira, viver os dias caros de Agosto era ser
ela própria um desses quase invisíveis acontecimentos.
Naquele altar remoto e improvisado.
Saturday, August 15, 2009
Self-disclosure
Amnésia (joelhos à mostra).
Momentos há,
como que feitos de uma tranquilidade distintiva,
em que as coisas parecem figurar no lugar devido.
O medo - atroz, recorrente, silencioso - que se insinua ao longe.
Um desejo de omnisciência que se enseja ao perto.
Quando os joelhos estão mais à mostra,
os lugares feitos para usar,
na topografia da memória,
afiguram-se limpos,mais certos, mais próximos.
Todos os lugares da memória deviam ter clarabóias
para se saberem finitos,
concorrentes de outros lugares,
que poderão tomar o seu espaço, no lugar devido.
Saber de uma alternativa,
de um correctivo dos lapsos da imaginação,
é sempre bem-vindo,
em particular, quando nos falta a memória.
Momentos há,
como que feitos de uma tranquilidade distintiva,
em que as coisas parecem figurar no lugar devido.
O medo - atroz, recorrente, silencioso - que se insinua ao longe.
Um desejo de omnisciência que se enseja ao perto.
Quando os joelhos estão mais à mostra,
os lugares feitos para usar,
na topografia da memória,
afiguram-se limpos,mais certos, mais próximos.
Todos os lugares da memória deviam ter clarabóias
para se saberem finitos,
concorrentes de outros lugares,
que poderão tomar o seu espaço, no lugar devido.
Saber de uma alternativa,
de um correctivo dos lapsos da imaginação,
é sempre bem-vindo,
em particular, quando nos falta a memória.
Palavras de Cotrim
Identidade.
Entre dúvidas e a alquimia da vulnerabilidade,
sei agora
que quero ter sempre um lugar para ir,
alguém quem esperar,
um atraso a cumprir,
um prazo a evitar.
Nada assim querer
é viver sempre a metade
Apneia sem logro
manhã que submerge
Razão que se tem
sem para isso se ter vontade.
É no articular com o outro
a teia da história, da promessa,
da contabilidade e da remessa,
que se tecem identidades.
Imagens de si complexas, convexas,
credendas de notário
Coordenadas de navegação
num real turvo
que em si não basta,
bissectriz do imaginário.
Entre dúvidas e a alquimia da vulnerabilidade,
sei agora
que quero ter sempre um lugar para ir,
alguém quem esperar,
um atraso a cumprir,
um prazo a evitar.
Nada assim querer
é viver sempre a metade
Apneia sem logro
manhã que submerge
Razão que se tem
sem para isso se ter vontade.
É no articular com o outro
a teia da história, da promessa,
da contabilidade e da remessa,
que se tecem identidades.
Imagens de si complexas, convexas,
credendas de notário
Coordenadas de navegação
num real turvo
que em si não basta,
bissectriz do imaginário.
Thursday, August 06, 2009
It`s a outlier!
Anthímio.
Hoje não está tempo nenhum
Não está sol
nem há vento
humidade
ou precipitação;
ar rarefeito
calor ou frio
nortada ou centro de baixa pressão.
Desta súbita ausência de metereologia
não sei que meias usar
que comprimento de manga escolher
se será necessário respigar
articular ou respirar:
que chatice não saber
se devo usar lã
ou mesmo se
vai chover.
Não haver tempo algum
é como
não haver um tema de conversa,
uma coisa numa gaveta
emigrantes em Agosto,
Portugal sem um messias
planeamento sem rotundas
um armário sem coríntias.
Mesmo não estando tempo algum
existem algoritmos
que nos dizem que tempo está;
agora que o Anthímio está reformado,
e, voilá,
-processamento-
lá é dito que o satélite está avariado.
Abençoada revolução
esta
que não nos deixa tolher o espírito.
Nunca será, assim esperamos,
pela falta de tempo
que nos vai faltar a vida.
Hoje não está tempo nenhum
Não está sol
nem há vento
humidade
ou precipitação;
ar rarefeito
calor ou frio
nortada ou centro de baixa pressão.
Desta súbita ausência de metereologia
não sei que meias usar
que comprimento de manga escolher
se será necessário respigar
articular ou respirar:
que chatice não saber
se devo usar lã
ou mesmo se
vai chover.
Não haver tempo algum
é como
não haver um tema de conversa,
uma coisa numa gaveta
emigrantes em Agosto,
Portugal sem um messias
planeamento sem rotundas
um armário sem coríntias.
Mesmo não estando tempo algum
existem algoritmos
que nos dizem que tempo está;
agora que o Anthímio está reformado,
e, voilá,
-processamento-
lá é dito que o satélite está avariado.
Abençoada revolução
esta
que não nos deixa tolher o espírito.
Nunca será, assim esperamos,
pela falta de tempo
que nos vai faltar a vida.
Wednesday, August 05, 2009
Self-disclosure

Todos os que escrevem, já escreveram sobre o mar.
Mar:
como o funcionário
é um corpo de fastio
no horário de expediente,
és um volume que me transcende,
um istmo na consciência
urina que se dispende
por ocasião da maré baixa.
Por autores de versos
e rimas emparelhadas
que se auto-fotografam
em luta de egos
e paróquias insuladas,
és musa insuspeita,
um instrumento de confissão
mais glosado
do que és abstracção ubíqua,
auto-contemplação explanada,
um universo invencível
imutável
feito de prazer salgado.
Mar:
és Lexotan
da classe média,
ninfeta do verbo fácil,
um jardim-de-infância
massificado;
em voz baixa deves sussurar
um mundo constante
que expurga
e perdoa,
para gerar esta procura;
um universo inexplorado
que assim eleva, sem ditongo,
o isaltino betão
e
o preço
do metro quadrado.
Mar:
Lá,
algures
onde tudo é mais possível
gostava de te ter no meu bolso
com um agrafo
e uma centelha serôdia de luz.
Mar:
como o funcionário
é um corpo de fastio
no horário de expediente,
és um volume que me transcende,
um istmo na consciência
urina que se dispende
por ocasião da maré baixa.
Por autores de versos
e rimas emparelhadas
que se auto-fotografam
em luta de egos
e paróquias insuladas,
és musa insuspeita,
um instrumento de confissão
mais glosado
do que és abstracção ubíqua,
auto-contemplação explanada,
um universo invencível
imutável
feito de prazer salgado.
Mar:
és Lexotan
da classe média,
ninfeta do verbo fácil,
um jardim-de-infância
massificado;
em voz baixa deves sussurar
um mundo constante
que expurga
e perdoa,
para gerar esta procura;
um universo inexplorado
que assim eleva, sem ditongo,
o isaltino betão
e
o preço
do metro quadrado.
Mar:
Lá,
algures
onde tudo é mais possível
gostava de te ter no meu bolso
com um agrafo
e uma centelha serôdia de luz.
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