Friday, January 02, 2009

Self-disclosure


(photo: "Irene" by Alexandrino Gonçalves, 2008)

Bolas de sabão.


Intempestivos,

campos bucólicos onde a desolação impera

libertam-nos dos estereótipos da nossa época.
Num real-polaroid desencantado, feita de diferença insolente e totalitária,

verdades temporárias como bolas de sabão,
extinguem os grandes animais na terra,


- e como Herberto nos desperta -
Homens e mulheres perdem a aura
Na usura
Na política
No comércio
Na indústria.

Homens e mulheres que pedem, infelizes, colo e atenção.
Mulheres-a-dias. O patrão.
Palavras urgentes, lascivas, perdidas na entrega
Simulam uma marcha
feita de silêncio.
Triste coisa a procura de quem se é.
Num turbilhão obsessivo
Laranja cujo fundo se procura
Mãos tolhidas
um sentido de divagação.
São assim as palavras
cerzidas de bolas de sabão.

1 comment:

Fritz the Fart said...

Letras muito bem juntas e amanhadas. Ginásio perfeito para moleirinhas sedentárias e sedentas. Obrigado por este bocadinho.