Bolas de sabão.
Intempestivos,
campos bucólicos onde a desolação impera
libertam-nos dos estereótipos da nossa época.
Num real-polaroid desencantado, feita de diferença insolente e totalitária,
verdades temporárias como bolas de sabão,
extinguem os grandes animais na terra,
- e como Herberto nos desperta -
Homens e mulheres perdem a aura
Na usura
Na política
No comércio
Na indústria.
Homens e mulheres que pedem, infelizes, colo e atenção.
Mulheres-a-dias. O patrão.
Palavras urgentes, lascivas, perdidas na entrega
Simulam uma marcha
feita de silêncio.
Triste coisa a procura de quem se é.
Num turbilhão obsessivo
Laranja cujo fundo se procura
Mãos tolhidas
um sentido de divagação.
São assim as palavras
cerzidas de bolas de sabão.

1 comment:
Letras muito bem juntas e amanhadas. Ginásio perfeito para moleirinhas sedentárias e sedentas. Obrigado por este bocadinho.
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