Wednesday, February 21, 2007

Bibliofilias

Da passagem inexorável dos dias, retalhos de um tempo passado no esgoto dos sonhos.
Os termos originais são do irremediavelmente contentinho O´Neill.
A edição é da nossa autoria:

"Há dias que eu odeio
como insultos a que não posso responder
Sem o perigo duma cruel intimidade
Como a mão que lança o pus
Que trabalha ao serviço da infecção

São dias que nunca deviam ter saído
Do mau tempo fixo
Que nos desafia da parede

Dias do dia-a-dia
Comboios que trazem o sono a resmungar para o trabalho
O sono centenário
Mal vestido mal alimentado
Para o trabalho
A martelada na cabeça

Dias que passei no esgoto dos sonhos
Onde o sórdido dá as mãos ao sublime
Onde vi o necessário
Onde aprendi
Que só entre os homens e por eles
Vale a pena sonhar."

(Alexandre O'Neill, in O tempo sujo, s/d)

2 comments:

Lili said...

:/

Fritz the Fart said...

Obrigado pela partilha!Abraço do "poeta Tavares"