Da passagem inexorável dos dias, retalhos de um tempo passado no esgoto dos sonhos.
Os termos originais são do irremediavelmente contentinho O´Neill.
A edição é da nossa autoria:
"Há dias que eu odeio
como insultos a que não posso responder
Sem o perigo duma cruel intimidade
Como a mão que lança o pus
Que trabalha ao serviço da infecção
São dias que nunca deviam ter saído
Do mau tempo fixo
Que nos desafia da parede
Dias do dia-a-dia
Comboios que trazem o sono a resmungar para o trabalho
O sono centenário
Mal vestido mal alimentado
Para o trabalho
A martelada na cabeça
Dias que passei no esgoto dos sonhos
Onde o sórdido dá as mãos ao sublime
Onde vi o necessário
Onde aprendi
Que só entre os homens e por eles
Vale a pena sonhar."
(Alexandre O'Neill, in O tempo sujo, s/d)
2 comments:
:/
Obrigado pela partilha!Abraço do "poeta Tavares"
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