Pensar.
Um dia, de manhã, no shopping center, um indivíduo que ia a passar decidiu começar a pensar sobre o que lhe acontecia.
Nos primeiros tempos, não notou em si grandes diferenças.
Findo o primeiro mês, porém, notou eclodir, em si, um sofrimento.
Pensar, tinha criado, na relação mantida com os outros, uma distância, um vazio.
Um dia, perguntou a alguém que tinha por próximo, se era verdade de facto a percepção que lhe ocorria. A resposta surgiu pronta, célere, esclarecida.
Ele tinha deixado de ser alguém tido por simples, afável, sorridente.
Tinha deixado de dar notícias.
Tinha agora muitas opiniões, problemas, um olhar prescrutador.
Dizia muitas vezes que não - em voz alta.
Tinha dúvidas.
A sua presença nutrida de pensamentos gerava ruído, atritos inconvenientes.
Era agora visto, na relação mantida com os outros, como uma pessoa complicada, manienta, difícil.
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