Monday, January 19, 2009

Self-disclosure

CIF.

O mundo,
Agora de compreensão mais difícil
Depois das brincadeiras de especulação
Que nos assolam o espírito,
Tão distante e tão ausente
Das virtuais mecânicas bolsistas.

Uma substância amorfa, apática
A ainda chamada economia
Água sulfurosa
Um holograma-avatar
Que nos invade o dia-a-dia.

O valor da transacção
Rebenta-nos nas mãos
Um odor nauseabundo
Indexado à enésima abstracção.

Odor de fraude, impunidade e desrespeito
Que nenhum CIF parece
Poder vir a neutralizar.

Sunday, January 18, 2009

Self-disclosure


Mancebo.



Mancebo,

Afasta a cortina diáfana da memória:
Um movimento subtil de resgate
De palcos simples
Corpos habitáveis
de afecto e ascetismo
Um continente perdido.

Mancebo,

A infância-inocência,
É tempo de carnação tenra.
De inculcação
Do primado da pedagogia.

Mancebo,

Da prática da genuflexão
Se eleva a angústia,
Os detritos dos ditadores,
As palavras polidas,
Fezes clericais
Incessantemente repetidas,
Expelidas.

Mancebo,

É necessário mais tempo, e, quiçá,
menos história.

Mancebo,

O tempo... ...

Mancebo? Ainda aí estás?

Friday, January 02, 2009

Self-disclosure


(photo: "Irene" by Alexandrino Gonçalves, 2008)

Bolas de sabão.


Intempestivos,

campos bucólicos onde a desolação impera

libertam-nos dos estereótipos da nossa época.
Num real-polaroid desencantado, feita de diferença insolente e totalitária,

verdades temporárias como bolas de sabão,
extinguem os grandes animais na terra,


- e como Herberto nos desperta -
Homens e mulheres perdem a aura
Na usura
Na política
No comércio
Na indústria.

Homens e mulheres que pedem, infelizes, colo e atenção.
Mulheres-a-dias. O patrão.
Palavras urgentes, lascivas, perdidas na entrega
Simulam uma marcha
feita de silêncio.
Triste coisa a procura de quem se é.
Num turbilhão obsessivo
Laranja cujo fundo se procura
Mãos tolhidas
um sentido de divagação.
São assim as palavras
cerzidas de bolas de sabão.