Tuesday, October 06, 2009

Self-disclosure


Artwork: Dhooon by Erina Matsui (2002)



Tímpano.

Escutar,
primado poético
em formato minguante,
sintético alento
doméstico,
fracasso patético,
coisas vãs
que se assimilam
na desmesura
da entrega ao destino.

Rápido e súbito,
o assédio dos tempos escolhidos,
sublime
celebração da surdez,
felicidade,
um engodo da agonia,
elevação catastrófica do risível,
panelas ao lume,
um tímpano,
membrana-fantasma que redime
as agruras da decadência,
fronteira vaga,
fiel,
um acidente,
interlúdio
à espera de um erro
que se presta
a acontecer.

Trágica densidade
que escuta
tristezas sem objecto,
numa deriva sonâmbula
sem desespero,
limbos etéreos,
silêncios longos,
lugares vigorosos
à espreita
do infinitamente possível.

Um tímpano,
membrana que escuta
o terror de um
cerco constante,
e nós,
indefesos,
também.

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