Wednesday, September 09, 2009

Self-disclosure


Autonomia.


Viver,
uma rua de um município que nos é próprio,
é um acto de deflação,
um súbito encontro romântico
que não nos foi
comunicado,
o retorno à mercearia
de obsessões
em buscas inquietas
de um produto há muito esgotado.
Uma insistência melancólica,
esta rua que teima
em nada nos dizer,
a perda e a discórdia,
o privilégio,
fachada de contenção,
explicação do vulnerável,
exactamente,
diariamente,
e ir adiante
da crueldade dos factos,
no desequilíbrio do destino,
com migalhas de ilusão
de uma rua escolhida,
varrida,
um ecossistema frágil,
um esconso ritual de
sobrevivência
com mochilas de escola
e os pés húmidos
em alguidares.

Viver,
ser capaz de nomear,
de invocar
a perda e o vulnerável,
a guerra que espreita sempre ao perto,
um expediente funcional
que nos diz que sim,
que há uma rua
de um município
que nos é próprio
e isso bastaria,
exactamente,
diariamente,
para ir adiante
da crueldade dos factos.

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