Thursday, September 17, 2009

It`s a outlier!


Um estudo sobre a multidão eleitoral e o candidato político: Uma mão-cheia de ideias-chave.
[a partir da obra "Psicologia das Multidões", de Gustave le Bon (1896, pp. 108-112)]


1. Os homens em multidão tendem para a equalização mental, num movimento fundamental de inferioridade mental de todas as colectividades. O sufrágio de 40 académicos não é melhor que o de 50 aguadeiros, se estiver em causa uma questão de natureza geral. Os homens em multidão eleitoral, colectivo de indivíduos encarregue de eleger os titulares de certas funções públicas, caracteriza-se, como outros colectivos, pela fraca aptidão para o raciocínio, a ausência de espírito crítico, a irritabilidade, a credulidade e o simplismo.

2. O eleitor aprecia que os seus anseios e vaidades sejam lisonjeados; o candidato deve bajulá-lo e fazer as promessas mais fantásticas. Se fala para operários, as injúrias aos patrões nunca são de mais. É inútil, evidentemente, procurar qualquer simulacro de prova, dada a fraca aptidão para o raciocínio de uma multidão. A justificação que emprega argumentos não colhe frutos, ao invés da resposta a afirmações caluniosas com outras afirmações igualmente caluniosas, dada a eficácia da sugestão e do contágio na modelação das crenças de uma multidão. A coisa afirmada consegue, através da repetição, instalar-se nos espíritos ao ponto de ser aceite como uma verdade demonstrada.

3. O programa escrito e apresentado pelo candidato pode prometer sem receio as mais amplas reformas. No momento, os exageros produzem bastante efeito e não comprometem o futuro. O eleitor não se preocupa nada em saber se o eleito obedeceu à profissão de fé aplaudida e à qual deve a vitória.

4. O candidato que descobre uma fórmula nova, bastante destituída de significado preciso, e por consequência adaptável às mais diversas aspirações, obtém um sucesso infalível.

5. Pode suceder que o candidato seja inteligente e culto; mas isso é-lhe, de um modo geral, mais prejudicial que útil. Quando demonstra a complexidade das coisas e procura explicar e compreender, provoca a mobilidade excessiva dos apóstolos, esbatendo a violência e a intensidade das suas convicções.

Perante o valor actual do rímel, e o investimento em consultores e analistas que se esgotam na descodificação da motivação subterrânea de um candidato, não deixa de surpreender, pensamos, a actualidade destas elaborações que datam do final do séc. XIX.

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