Tuesday, May 26, 2009

Self-disclosure

Engenheira (em 4 actos).

No seu quadril
repousam delicados segredos do mundo.
Por vezes, também,
gatos e uma manta.
Mas os gatos fogem, narcisos,
e os quadris, cândidos,
não foram feitos para isso.

Pão do dia.
Pão com côdea.
Fiambre, do normal.
Sumo em pó, para a azia.
Água por somar.
Não está mal
O pão é d`hoje e cheira a queijo,
Nestes dias, é assim que vejo
o rendimento de inserção.

A Maria vai-com-todas,
porque nada tem que fazer.
Uma flor
disponível e transparente,
Que assim se dá a cheirar
Um dia
Ainda vai murchar.

Tristes aqueles
Que tudo buscam para ontem.
A vogal, consoante
o deferimento
é lugar de imposto singular
um rendimento,
lento padecimento,
prazer sem efeito a registar.

O já, imperativo roliço,
é o novo refrão.

Um dia, à descendência
chamarei Engenheira

só para arrepiar caminho
na Loja do Cidadão.


Um dia, a Engenheira
fará as coisas sempre até ao fim.
Um dia, não haverá fim
para as coisas
que ela terá de fazer.

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