
Da contemporaneidade: Guião breve para a definição instantânea de uma identidade pessoal.
Neste tempo em que tudo se afunda na vulgaridade, na superficialidade e na amnésia, este guião é aparentemente delgado e conciso, suficientement portátil para ser empregue com asseio no espaço público, reduzido que está a uma única oração, escrita em formato de interrogação: "Então, o que fazes?"
Ora, da miscigenação de territórios e áreas do conhecimento, de disciplinas, de ocupações (diluição de fronteiras), regista-se, de modo inalienável, uma dificuldade acrescida no resgate quotidiano de um papel social, de um perfil identitário de contornos reconhecíveis. Na busca trôpega pela visibilidade, há lixo pelo meio, esquinas sujas misturadas com palidez em excesso.
A vida, e a procura incessante da demarcação de identidades e estatutos sociais, continuam, contudo, para além do nosso enfado e fadiga.
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