Fazer.
Como refere Vítor Silva Tavares*, artesão da expressividade e da ausência de prosápia, as pessoas fazem as coisas porque têm de as fazer, porque está na sua condição.
Depois, já não é com elas, o que está feito já está para fora de si, autonomiza-se, e diz sempre, em sub-texto, várias e outras coisas. A pessoa, enquanto autora do que é feito, assiste ao espectáculo da sua criação, incrédula, por vezes, por lhe ter servido de veículo.
Persegue, deste modo, uma ideia de harmonia, de beleza, de intervenção, sabendo-se, desde o início, que fazer é marco e prova de resistência - resistência é a palavra, à falta de ar vigente, ao obscurantismo, à criação permanente de falsos mitos passageiros.
*Vítor Silva Tavares é eloquência em estado puro, o maestro da editora & etc. Lê-lo e ouvi-lo engrandece, relembrando que há mais mundo e mais beleza nas palavras, do que aquela que diariamente nos é servida de ração. No final, restam sempre e só as palavras; e um impulso, incontido, de as libertar.
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