Consciência.
(I)
Na doutrina da esfera do juízo,
a consciência é um recorte de distinção
pelo vago do seu meio.
É um 'isto', um halo de atenção,
recortado por um 'isso' que se intenta.
É, na distinção das operações de julgar,
uma qualidade de discernimento,
uma perspicácia de individuação do dado,
uma não-indiferença.
(II)
A consciência é,
neste sentido,
uma interrupção que pontua o vazio,
o indistinto,
e o reparte de súbito em partes.
Não é, pois, uma esfera ou uma linha recta,
mas sim a tangente de um círculo.
É também, depois, a confirmação de algo
que se conclui para si mesmo.
(III)
Em resumo,
a consciência singulariza algo em mim:
um verso livre,
um ribossoma,
um pássaro contente,
a fidelidade de um azulejo,
o funcionamento de um marido,
a atenção de uma esposa.
a atenção de uma esposa.
