Excel.
Das duas entradas da memória, ela usava sempre a mais estreita.
Refugiava-se sempre ali, como se quisesse escapar a um perigo.
É lá mais de trás que velam os fantasmas, sabia:
o vazio, as vidas retiradas são uma poderosa força de atracção em direcção ao passado.
Reservada, permanecia em silêncio naquele seu pequeno palco de gestos simples.
Apesar de protegida, naquele lugar nunca ninguém repararia nela.
E assim sucedeu.
O futuro, bem vestido, fez-se notar.
E naquele lugar nunca ninguém reparou nela.
Antecipando a dificuldade de viver, encontrou o seu lugar de conforto num punhado de folhas.
Folhas que preenchia, decantava, furiosamente. E depois entregava, sem mácula.
Folhas de Excel.
Desde nova que se havia rendido, púbere, aos encantos formais, automáticos das folhas de um Excel.
Havia proferido colóquios inteiros deambulando por rotinas exegéticas de macros e filtros, decifrando a beleza escondida
em fórmulas de resposta sempre pronta e imaculada.
A salvação, a existir, residia nas suas folhas de Excel.
Um dia, ao acordar, percebeu, perplexa, que no mundo não havia mais dados para entregar.
E a salvação, a existir, não a havia encontrado.
Reservada, regressou ao seu pequeno palco de gestos simples.
Protegida, naquele lugar nunca ninguém repararia nela.
Pensou um pouco, e inspirada pelo fado da crise, foi aprender Access.
Das duas entradas da memória, ela usava sempre a mais estreita.
Refugiava-se sempre ali, como se quisesse escapar a um perigo.
É lá mais de trás que velam os fantasmas, sabia:
o vazio, as vidas retiradas são uma poderosa força de atracção em direcção ao passado.
Reservada, permanecia em silêncio naquele seu pequeno palco de gestos simples.
Apesar de protegida, naquele lugar nunca ninguém repararia nela.
E assim sucedeu.
O futuro, bem vestido, fez-se notar.
E naquele lugar nunca ninguém reparou nela.
Antecipando a dificuldade de viver, encontrou o seu lugar de conforto num punhado de folhas.
Folhas que preenchia, decantava, furiosamente. E depois entregava, sem mácula.
Folhas de Excel.
Desde nova que se havia rendido, púbere, aos encantos formais, automáticos das folhas de um Excel.
Havia proferido colóquios inteiros deambulando por rotinas exegéticas de macros e filtros, decifrando a beleza escondida
em fórmulas de resposta sempre pronta e imaculada.
A salvação, a existir, residia nas suas folhas de Excel.
Um dia, ao acordar, percebeu, perplexa, que no mundo não havia mais dados para entregar.
E a salvação, a existir, não a havia encontrado.
Reservada, regressou ao seu pequeno palco de gestos simples.
Protegida, naquele lugar nunca ninguém repararia nela.
Pensou um pouco, e inspirada pelo fado da crise, foi aprender Access.