Sunday, February 10, 2008

Tautologia no gira-discos: #016

Pela fantasia do gesto, a verve melódica, e a espessura dramática.

Coisas de ouvir, em formato definitivo:

Jay Shepheard (ao vivo)_ Sascha Funke (ao vivo)_John Daly (ao vivo)_Jus-Ed (ao vivo)
Clone Classic Cuts (best of - digital)
Emperor Machine – Slap on/Gang bang (12`` EP)
Sten – Squares (12``EP)
Marcelo Giordani – Respect yourself (12`` EP)
Mugwump – Boutade (12`` EP)
Dan Berkson & James What – The source (12``EP)

Palavras de Cotrim

Pessimismo.

Da lógica totalitária e nihilista da vida mutilada própria do tempo que é o nosso, outra coisa não se pode (ou deve) esperar que não diferente (melhor?). O pessimismo surge, aqui, como inefável/incontornável postulado/performativo ético.
A interrupção do ritmo veloz e voraz do quotidiano, sem contemplações, emerge como possível panaceia. Antídoto mirífico, contudo. Habituamo-nos, com negligência, à desatenção no dia-a-dia, e ao seu apelo melancólico.
Há que reaver a lucidez, face à desmesura e à vertigem horizontal do vazio. Uma aragem libertária. Torpedear o devir da história. A passagem do tempo como escrito-dito, ordenado e não-decorativo, inócuo. Um vaivém veemente de palavras plenas. Amor que não carece, em definitivo, de explicações.

Palavras de Cotrim

Potencial.

Bons tempos aqueles em que se diz, de modo brando e insuspeito, que, uma pessoa em vez de não ter mais idade, ainda não tem idade para assegurar uma dada diligência.
Decorre esta lenta e trágica transformação, no entender de poetas e prosadores, do fluir inexorável da vida. De um sentido de urgência, da necessidade despojada de despertar da letargia, da reinvenção de verdades e certezas.

Pelo caminho, lembrando Lavoisier, há algo que certamente se transforma. A concretização, talvez, do que foi ilustrado, noutros tempos, como potencial, imitação de vida.

O desenho em baixo relevo de um estado de adultez – a aquisição de uma pose, numa palavra.