O campeão (instantâneo).
Em tempo de semi-deuses e heróis instantâneos, é difícil encontrar quem afirme abertamente já ter levado porrada. A dificuldade não é, contudo, de hoje; já Álvaro de Campos, o engenheiro da sinestesia, referia no seu "Poema em Linha Recta", que, para seu grande espanto, "(...) todos os seus conhecidos tinham sido já campeões em tudo".
Observando, contudo, o épico quotidiano de um qualquer confessionário/purgatório da modernidade, um café-pastelaria-ou semelhante, mais não se regista que a apologia diária da auto-estima e da auto-comiseração, a sublimação de uma estética da fragilidade, da melancolia e da depressão. Entre um café e um retalho de pastelaria fina, vê-se bem que a vida é, no essencial, aquilo que nos cansa e mata, e, neste contexto, a porrada é o paliativo que nos dignifica, e que nos aproxima da eternidade e do endeusamento desejado.
Elementos de cultura táctil. Procedimentos analíticos. Artefactos da vida mundana. A vida como arte de encontro. Da descoberta. Uma aprendizagem em redondilha maior. Um convite à partilha - com um grilo que tem fome de elefante.
Thursday, July 05, 2007
Self-disclosure
Do vazio.
não pode haver uma relação entre duas pessoas, se não existir o fomento do vazio.
o vazio é condição e cenário de aparição da essência de cada uma dessas pessoas.
Há, pois, ritmo e disponibilidade (irregular) no vazio.
o vazio empresta volume à expectativa.
o vazio contribui para o achamento de si.
o vazio não é, de modo inequívoco, ausência e opressão.
o vazio que se vê é, efectivamente, o vazio que se conhece.
não pode haver uma relação entre duas pessoas, se não existir o fomento do vazio.
o vazio é condição e cenário de aparição da essência de cada uma dessas pessoas.
Há, pois, ritmo e disponibilidade (irregular) no vazio.
o vazio empresta volume à expectativa.
o vazio contribui para o achamento de si.
o vazio não é, de modo inequívoco, ausência e opressão.
o vazio que se vê é, efectivamente, o vazio que se conhece.
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